sábado, 13 de julho de 2013

Mensagem do dia no perfil da Irmã Ana Paula Rocha

Palavra do Dia: Cuidar das relações.

Meditando: Nestes anos de missão tenho acompanhado muitos casais com problemas no relacionamento e nestes últimos tempos, estes casos vem crescendo. Isto também não é diferente na vida religiosa consagrada,mesmo que seja outra forma de relacionamento, tenho aprendido: as relações que não cuidamos terá uma probabilidade ao esquecimento, isolamento e ao rompimento.
Portanto, recebi esta lição de vida nesta manhã espero que seja útil para nós:
Naquela noite,enquanto minha esposa servia o jantar, eu segurei sua mão e disse: "Tenho algo importante para te dizer". Ela se sentou e jantou sem dizer uma palavra. Pude ver sofrimento em seus olhos.

De repente, eu também fiquei sem palavras. No entanto, eu tinha que dizer a ela o que estava pensando. Eu queria o divórcio. E abordei o assunto calmamente.

Ela não parecia irritada pelas minhas palavras e simplesmente perguntou em voz baixa: "Porquê?" Eu evitei respondê-la, o que a deixou muito brava. Ela jogou os talheres longe e gritou "você não é homem!" Naquela noite, nós não conversamos mais. Pude ouví-la chorando. Eu sabia que ela queria um motivo para o fim do nosso casamento. Mas eu não tinha uma resposta satisfatória para esta pergunta. O meu coração não pertencia a ela mais e sim a Jane. Eu simplesmente não a amava mais, sentia pena dela.
Me sentindo muito culpado, rascunhei um acordo de divórcio, deixando para ela a casa, nosso carro e 30% das ações da minha empresa.

Ela tomou o papel da minha mão e o rasgou violentamente. A mulher com quem vivi pelos últimos 10 anos se tornou uma estranha para mim. Eu fiquei com dó deste desperdício de tempo e energia mas eu não voltaria atrás do que disse, pois amava a Jane profundamente. Finalmente ela começou a chorar alto na minha frente, o que já era esperado. Eu me senti libertado enquanto ela chorava. A minha obsessão por divórcio nas últimas semanas finalmente se materializava e o fim estava mais perto agora.

No dia seguinte, eu cheguei em casa tarde e a encontrei sentada na mesa escrevendo. Eu não jantei, fui direto para a cama e dormi imediatamente, pois estava cansado depois de ter passado o dia com a Jane.

Quando acordei no meio da noite, ela ainda estava sentada à mesa, escrevendo. Eu a ignorei e volteia dormir.

Na manhã seguinte, ela me apresentou suas condições: ela não queria nada meu, mas pedia um mês de prazo para conceder o divórcio. Ela pediu que durante os próximos 30 dias a gente tentasse viver juntos de forma mais natural possível. As suas razões eram simples: o nosso filho faria seus exames no próximo mês e precisava de um ambiente propício para preparar-se bem, sem os problemas de ter que lidar com o rompimento de seus pais.

Isso me pareceu razoável, mas ela acrescentou algo mais. Ela me lembrou do momento em que eu a carreguei para dentro da nossa casa no dia em que nos casamos e me pediu que durante os próximos 30 dias eu a carregasse para fora da casa todas as manhãs. Eu então percebi que ela estava completamente louca mas aceitei sua proposta para não tornar meus próximos dias ainda mais intoleráveis.

Eu contei para a Jane sobre o pedido da minha esposa e ela riu muito e achou a idéia totalmente absurda. "Ela pensa que impondo condições assim vai mudar alguma coisa; melhor ela encarar a situação e aceitar o divórcio", disse Jane em tom de gozação.

Minha esposa e eu não tínhamos nenhum contato físico havia muito tempo, então quando eu a carreguei para fora da casa no primeiro dia, foi totalmente estranho. Nosso filho nos aplaudiu dizendo "O papai está carregando a mamãe no colo!" Suas palavras me causaram constrangimento. Do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa, eu devo ter caminhado uns 10 metros carregando minha esposa no colo. Ela fechou os olhos e disse baixinho "Não conte para o nosso filho sobre o divórcio" Eu balancei a cabeça mesmo discordando e então a coloquei no chão assim que atravessamos a porta de entrada da casa. Ela foi pegar o ônibus para o trabalho e eu dirigi para o escritório.

No segundo dia, foi mais fácil para nós dois. Ela se apoiou no meu peito,eu senti o cheiro do perfume que ela usava. Eu então percebi que há muito tempo não prestava atenção a essa mulher. Ela certamente tinha
envelhecido nestes últimos 10 anos, havia rugas no seu rosto, seu cabelo estava ficando fino e grisalho. O nosso casamento teve muito impacto nela.
Por uns segundos,cheguei a pensar no que havia feito para ela estar neste estado.

No quarto dia, quando eu a levantei, senti uma certa intimidade maior como corpo dela. Esta mulher havia dedicado 10 anos da vida dela a mim.

No quinto dia, a mesma coisa. Eu não disse nada a Jane, mas ficava a cada dia mais fácil carregá-la do nosso quarto à porta da casa. Talvez meus músculos estejam mais firmes com o exercício, pensei.

Certa manhã, ela estava tentando escolher um vestido. Ela experimentou uma série deles mas não conseguia achar um que servisse. Com um suspiro, ela disse "Todos os meus vestidos estão grandes para mim". Eu então percebi que ela realmente havia emagrecido bastante, daí a facilidade em carregá-la nos últimos dias.

A realidade caiu sobre mim com uma ponta de remorso... ela carrega tanta dor e tristeza em seu coração... Instintivamente, eu estiquei o braço e toquei seus cabelos.

Nosso filho entrou no quarto neste momento e disse "Pai, está na hora de você carregar a mamãe". Para ele, ver seu pai carregando sua mão todas as manhãs tornou-se parte da rotina da casa. Minha esposa abraçou nosso filho e o segurou em seus braços por alguns longos segundos. Eu tive que sair de perto, temendo mudar de idéia agora que estava tão perto do meu objetivo.
Em seguida, eu a carreguei em meus braços, do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa. Sua mão repousava em meu pescoço. Eu a segurei firme contra o meu corpo. Lembrei-me do dia do nosso casamento.

Mas o seu corpo tão magro me deixou triste. No último dia, quando eu a segurei em meus braços, por algum motivo não conseguia mover minhas pernas.Nosso filho já tinha ido para a escola e eu me vi pronunciando estas palavras:"Eu não percebi o quanto perdemos a nossa intimidade com o tempo".

Eu não consegui dirigir para o trabalho... fui até o meu novo futuro endereço,saí do carro apressadamente, com medo de mudar de idéia... Subi as escadas e bati na porta do quarto. A Jane abriu a porta e eu disse a ela "Desculpe Jane. Eu não quero mais me divorciar".

Ela olhou para mim sem acreditar e tocou na minha testa "Você está com febre?" Eu tirei sua mão da minha testa e repeti "Desculpe,Jane. Eu não vou me divorciar. Meu casamento ficou chato porque nós não soubemos valorizar os pequenos detalhes da nossa vida e não por falta de amor. Agora eu percebi que desde o dia em que carreguei minha esposa no dia do nosso casamento para nossa casa, eu devo segurá-la até que a morte nos separe.

A Jane então percebeu que era sério. Me deu um tapa no rosto, bateu a porta na minha cara e pude ouví-la chorando compulsivamente. Eu voltei para o carro e fui trabalhar.

Na loja de flores, no caminho de volta para casa, eu comprei um buquê de rosas para minha esposa. A atendente me perguntou o que eu gostaria de escrever no cartão. Eu sorri e escrevi: "Eu te carregarei em meus braços todas as manhãs até que a morte nos separe".

Naquela noite, quando cheguei em casa, com um buquê de flores na mão e um grande sorriso no rosto, fui direto para o nosso quarto onde encontrei minha esposa deitada na cama, morta.
Minha esposa estava com câncer e vinha se tratando a vários meses, mas eu estava muito ocupado com a Jane para perceber que havia algo errado com ela. Ela sabia que morreria em breve e quis poupar nosso filho dos efeitos de um divórcio - e prolongou a nossa vida juntos proporcionando ao nosso filho a imagem de nós dois juntos toda manhã. Pelo menos aos olhos do meu filho, eu sou um marido carinhoso.

Os pequenos detalhes de nossa vida são o que realmente contam num relacionamento. Não é a mansão, o carro, as propriedades, o dinheiro no banco. Estes bens criam um ambiente propício a felicidade mas não proporcionam mais do que conforto. Portanto, encontre tempo para ser amigo de sua esposa, faça pequenas coisas um para o outro para mantê-los próximos e íntimos. Tenham um casamento real e feliz!

Se você não dividir isso com alguém, nada vai te acontecer.

Mas se escolher compartilhar para alguém, talvez salve um casamento. Muitos fracassados na vida são pessoas que não perceberam que estavam tão perto do sucesso e preferiram desistir.

Valorize quem realmente te ama ... Pense nisso.

Créditos: Carlos Azevedo

domingo, 30 de junho de 2013

Jesus é o Caminho

13ºTCC2013 Lc 9,51-62
            Jesus a caminho de Jerusalém.
Depois que Jesus revelou sua identidade de Messias e depois que disse :se alguém quiser, vir após mim tome sua cruz e siga-me, iniciou seu caminho para Jerusalém. Logo no início surgiu um problema com os Samaritanos que não queriam deixá-lo passar pela Samaria porque estava indo para Jerusalém. Os Samaritanos queriam que todo mundo adorasse o ídolo deles que estava no templo construído sobre o monte Karizim. Frente à atitude dos Samaritanos João e Tiago pediram para Jesus se queria que invocassem o fogo do céu para destruir aqueles hereges. Pensavam como Elias o qual também tinha invocado o fogo do céu. Os Samaritanos eram os inimigos da palavra e da evangelização e portanto deviam ser castigados. Lucas com este episódio está dizendo que sempre teremos pessoas opondo-se ao Caminho de Jesus.
           
            Os cristãos frente aos "Samaritanos" de hoje?"
A reação de Tiago e de João indica o que não devemos fazer. Os discípulos queriam usar os métodos da força para acabar com quem não pensa como Jesus. Jesus os repreendeu. O discípulo não é autorizado a fazer guerra contra os infiéis ou a queimar as bruxas porque não pensam da mesma forma que a Igreja ensina. Este fanatismo era muito presente no AT. Para Jesus o único fogo que devemos pedir do céu é aquele do Espírito Santo, isto é a bênção, não as maldição. Cristãos intolerantes existem também hoje entre nós. Jesus prega o respeito frente aos que fazem escolhas diferentes.

            No caminho três vocações.
 A 1ª é a de um jovem disposto a seguir Jesus. Desiste frente à pobreza.
 A 2ª é de um jovem convidado a seguir Jesus. Recusou o convite por causa da lei que o obrigava a cuidar do pai até à morte. Jesus o dispensou desta Lei e o enviou a anunciar o Reino de Deus que está acima de todas as Leis.
A 3ª é de um jovem que lhe disse: eu te seguirei, mas deixa primeiro me despedir dos parentes. Quando Elias chamou Eliseu para ser discípulo, este pediu um tempo para se despedir dos parentes e amigos. Eliseu deixou. Jesus não deixou.

A 4ª vocação é aquela de ser cristão. Dizemos que somos cristãos, mas na realidade seguimos umas práticas religiosas e continuamos comportar-nos como todo mundo, deixando para mais tarde o seu convite dizendo: "agora estou muito ocupado, mas quando me aposentar frequentarei a Igreja. Jesus não quer hesitações, mas "pegar ou largar". Não quer gente que pegue e depois largue como o povo de Israel a caminho da terra prometida sentiu saudade dos ídolos e das cebolas do Egito que tinha deixado para trás. Jesus não estranha que tenha quem o recusa ou rejeita.

Por Pe. Bruno Brugnolaro, Paróquia Sto Antônio, Jardim (MS)

domingo, 23 de junho de 2013

Quem sou "Eu" na tua vida?


12TCC2013
            O que pensa o povo de mim?
Jesus, depois de enviar os discípulos a pregar o Evangelho, os reúne e pergunta: O que o povo pensa de mim? Responderam: O povo pensa que você é Elias ou João Batista, ou um profeta.
1. > Elias era um profeta impulsivo. Num momento de intolerância mandou matar 450 profetas de Baal para defender Deus à espada. Elias pensava que Deus fosse como o trovão, mas  manifestou-se como uma brisa suave.
2 > João Batista era um homem austero que caminhava à frente de Deus com o Espírito e a potência de Elias. Apresentou um Deus justo, mas severo, pronto a julgar. O machado já está à  raiz da árvore. O grão seria separado da palha e esta queimada.
3 > O povo identificando Jesus com o Elias ou  o João Batista, coloca-o na linha dos profetas reformadores e não entende a novidade do seu reino.

            Por que tanta pregação e pouca evangelização?
Os Apóstolos pregaram uma imagem de Jesus parecido com Elias e com João Batista. Pedro parece acertar mais quando disse: Tu és o Messias, filho de Deus. 
Mas que Messias era o de Pedro? Um Messias grande, dominador, vencedor. Jesus é exatamente o contrário. Ele se apresenta como o filho do homem, o homem autêntico, em contraste com os outros homens que eram feras. Jesus é um Messias que deve sofrer e morrer porque confrontando-se com as feras será morto. Jesus precisou conversar com os discípulos para transmitir a imagem do verdadeiro Messias. Pedro, numa conversa, foi até chamado de Satanás....

            Falta de "Direção espiritual".
            Por que tem tantas imagens de Cristo?
Tem o Jesus que expulsa demônios, o Jesus que protege dos perigos, o Jesus milagreiro, o Jesus super-Star, Jesus revolucionário, Jesus Pop,
o Jesus brega e até o Jesus Rei, o vencedor. Tudo isso por causa de pregações que não transmitem o conteúdo central do Evangelho.
            Para passarmos do Cristo da escuta para o Cristo da vida, precisamos de alguém que tenha experiência da vida com Cristo.
Este alguém é o Diretor Espiritual.
Na vida cristã têm testemunhas, as que fazem a experiência de Jesus e podem ensinar aos outros. Além do mais a vida cristã é uma vida em comunidade, junto com os outros, não solitária.
Cada adolescente, cada jovem ou adulto, deveria ter o seu Diretor Espiritual para adquirir a experiência da vida com Jesus, trocar idéias, tirar dúvidas sobre Jesus. Sozinhos, podemos tentar, mas nunca teremos a segurança de quem tem do seu lado um guia cheio de luz, sabedoria e experiência para evitar de reduzir a religião a uma simples moral ou devoção.

Pe. Bruno Brugnolaro, Paróquia Sto. Antonio, Jardim (MS)

sábado, 15 de junho de 2013

A quem mais ama, mais é perdoado.

11TCC2013Lc7,36

            A casa de Simão era a casa onde se reuniam os justos.
Os justos consideravam marginalizados aqueles que na vida cometeram erros. Portanto a casa de Simão não está em sintonia com o pensamento de Jesus. Mesmo assim Jesus foi convidado para o banquete dos justos. A porta da casa permanecia aberta para quem quisesse dar uma espiadinha, mas deviam sempre ser pessoas puras, justas. Naquela casa só tinha pessoas puras observantes da lei. Uma mulher pecadora aproveitou da porta aberta para entrar e foi à sala do banquete onde estava Jesus. Desta mulher Jesus tinha expulsado 7 demônios. Isto significa que a tinha curado de uma grave doença ou de um grande pecado.

            O que uma prostituta vai fazer nesta casa com um vaso de perfume?
Sempre se pensou que fosse para pedir perdão a Jesus, mas não tem sentido carregar um vaso de perfume. Esta mulher já tinha sido perdoada por Jesus e por isso ela agora carrega um vaso de perfume para fazer festa e manifestar sua alegria pela cura.
Chorava e com as lagrimas lavava seus pés e os enxugava com os seus cabelos. Tudo indica que ela já conhecia o mestre. Todos os justos da sala ficam escandalizados pelos gestos da mulher e perdem a estima por Jesus. A mulher percebe que Jesus não pensa como os outros justos e que Jesus não a condenava, mas a amava.
Ela finalmente tinha achado alguém capaz de entender a sua história, alguém que acreditava no seu passado, que foi uma experiência de dor e de humilhação. Finalmente se sentiu amada por alguém. Jesus tinha-lhe dado a alegria e a confiança na vida. Jesus foi o único que a olhou não para aproveitar-se ou abusá-la. Ela entendeu que não era uma derrotada nem uma falida, pelo fato de ter sido pecadora, porque não deixava de ser uma filha de Deus. Mas os justos que aí estavam começaram a desconfiar de Jesus. Não podia ser um profeta nem um mestre.
            "Se ele fosse profeta saberia "de onde" é a mulher que o toca".
O contacto com uma mulher como esta tornava impuras as pessoas "justas". Para um Fariseu era como tocar um cadáver. Jesus deixou fazer. Aí Simão pensou que Jesus não seria mestre nem profeta porque não sabia quem era a mulher que o tocava. Para Jesus essas pessoas devem ser mais amadas. O Fariseu condena e marginaliza a mulher que pecou e junto com ela também a Jesus. Jesus compreende e perdoa mais a quem ama mais.
O problema não é "quem" tem menos pecados, mas "quem" tem mais amor.
O pecado não exclui do reino de Deus, porque os pecadores serão salvos  pela misericórdia, se se arrependerem e converterem.
            Há um Simão dentro de nós:

É um Simão que não quer ter nada a que ver com quem errou e acha que pensa como Deus. Pensa que Deus deve recompensá-lo pelos méritos que adquiriu por ser justo.

Pe. Bruno Brugnolaro 

domingo, 9 de junho de 2013

Reflexão sobre a liturgia de 09 de junho de 2013

o filho da viúva de Naim
10TCC2013 Lc 7,11-17  
            melhor falar de "Reanimação" do que de Ressurreição.
            A Ressurreição é a passagem definitiva desta vida humana para a vida com Deus, uma vida eterna e sem morte, sem volta para trás ou para a vida anterior.
            A Ressurreição é um passo para frente. A única ressurreição que nós conhecemos é aquela de Jesus que ao morrer entrou na Glória do Pai.
            A Reanimação, não é reencarnação, é um passo para trás, voltar à vida anterior, mesma idade, mesmos parentes, mesmas doenças e mesma espera da morte, mesmo corpo.
            De Jesus conhecemos 3 reanimações: o filho da viúva de Naim, Lázaro e a Talita, filha de Jairo. Todos eles pela reanimação que Jesus realizou neles, voltaram para a mesma vida anterior, um passo atrás e mais tarde morreram novamente.

            Jesus a caminho de Naim. (7 km de Nazaré)
Jesus vinha de Cafarnaum para Naim acompanhado pelos discípulos e uma grande multidão,
Ao chegar perto de Naim encontrou com um enterro saindo da cidade, de um jovem, filho único de uma viúva. Jesus vê naquela viúva uma mãe que representa a humanidade que chora desesperada os seus filhos mortos e que se pergunta: porque o nosso destino é o túmulo? O novo profeta, o Senhor da vida torna-se esperança de nova vida.

Jesus naquela situação de grande espera faz três coisas:
Manda parar o enterro porque aquele jovem tinha um outro destino, viver.
Manda aquela viúva desesperada parar de chorar porque vai chegar novamente a vida.
Manda o jovem morto sentar. Jesus tocou no esquife. Isto o tornaria impuro, mas com Jesus acontece o contrário: não é a impureza da morte que o contagia, mas é ele quem purifica a morte e a transforma em vida.
           
            "Moço, eu te digo: Levanta-te", viva.
O jovem levantou-se, começou a falar, foi entregue à mãe. A morte é a impossibilidade de comunicação, mas quem encontra o "Senhor da vida" começa a falar...
> Quantos jovens estão numa situação de morte, fazendo as mães chorarem. Morto é todo aquele que não tem vida interior, morreu a relação com os pais, com Deus, com a sociedade.
> Quantos jovens mortos pela droga, perdidos no mundo sem leis, tornaram-se o terror dos pais e da sociedade e apodrecem nos cárceres.
> Quantos jovens largam Jesus e vão para o cemitério para onde carregam juntos amigos e conhecidos.

            Na vida de cada um que está no caminho da morte intervêm Jesus e fala: "Moços levantem-se". Nunca é tarde demais para recuperar a vida que tentamos jogar fora, e que Jesus continua nos oferecendo.

Pe. Bruno Brugnolaro, Paróquia Sto Antônio, Jardim - MS

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Corpus Christi

Corpus Christi 2013

            Qual o sentido da Eucaristia passado por Jesus?
O Evangelho de hoje não fala da Instituição da Eucaristia, mas da partilha dos pães e nos ajuda a entender o verdadeiro sentido da Eucaristia. Nós que viemos de uma grande devoção eucarística estranhamos esta escolha. Jesus estava num deserto pregando o Reino de Deus às multidões. O dia estava para terminar. Problema: Como saciar a fome de tanta gente?
           
            Proposta dos discípulos
Despedir a multidão porque tem pouco dinheiro e porque só tem dois pães e cinco peixes. Não dá para alimentar tanta gente e daí sugerem a Jesus de despedir a multidão para que se vire andando nas aldeias vizinhas. O que acontece com quem se vira?
> Quem tem muito dinheiro pode comprar todo o pão que quer. E quem não tem dinheiro?
> Quem está em forma chega primeiro a comprar o pão. Os doentes não alcançam.
> Alguém pode comprar tudo e quem chega depois não alcança mais nada.
O pão é símbolo de comunhão e da Eucaristia quando o partilhamos com quem não tem.
Jesus quer que os discípulos e os homens entendam que não são os donos do pão, mas administradores. Os discípulos sabem que no deserto não terá comida para todos.
           
            Proposta de Jesus:
Jesus sabe que tem comida para todos se o que tem for partilhado. A fome no mundo não é culpa de Deus. São os discípulos que devem distribuir o pão, dom de Deus à multidão. Quando Jesus ficou sabendo que os discípulos tinham 2 pães e cinco peixes, levantou os olhos e abençoou: Jesus reconheceu que o Pai é o dono do pão e o agradece porque tem para todos. Depois manda o povo sentar-se em grupos de 50 (pequenas comunidades).
Os bens de Deus devem ser administrados sem competição e sem comércio. Nós não somos os organizadores da festa, mas simplesmente os comensais. Todos comeram à vontade e foram recolhidos os pedaços que sobraram, porque nada deve ser desperdiçado destes bens.

            Do pão distribuído à Eucaristia
Jesus sabe que está para morrer: e na sua mente não há o pensamento da adoração, mas a preocupação que os discípulos continuem a sua obra.
Qual obra? Toda a sua vida foi tornar-se pão para ia necessidade dos outros. Pega um pão, e diz: este é o meu corpo. Isto não significa carne, osso, músculos, mas significa: Este sou Eu, Eu me fiz pão e neste pão estou presente, ressuscitado. Comungar este pão, que é o corpo e sangue de Jesus é o mesmo que decidir de tornar-se por toda a vida, também nós,  um pão para os outros.
Tomai e comei. Não Tomem e adorem. Tomai e comei significa acolher a proposta de vida doada. Jesus pede de tornar-nos um com ele.
É a proposta do esposo à esposa no altar: quer unir a sua vida à minha?

Comer aquele pão significa unir a nossa vida à de Jesus e doá-la aos irmãos. Beber o sangue é acolher a sua vida que perdoa os nossos pecados.
Reflexão de Pe. Bruno Brugnolaro
Tapete na rua 14 de Julho em Campo Grande. Desenho da Paróquia Divino Espírito Santo

sábado, 25 de maio de 2013

A Santíssima Trindade

SS.maTrindadeC2013

            Por que três em um?
O AT insistiu do começo até o fim sobre o monoteísmo: só existe um Deus.
O NT recebeu a revelação de Jesus de que Deus é um só, em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Não era mais fácil crer num Deus só como os Hebreus e os Muçulmanos? A Igreja acredita na Trindade não porque goste de complicar, mas porque Jesus revelou esta verdade.
Do outro lado: como Deus seria amor sem ter a quem amar? Os cristãos acreditam num Deus só, mas não num Deus solitário. A família humana é um reflexo da Trindade: a família é uma quando tem mais pessoas: pai, mãe, filhos. São mais pessoas, até diferentes, mas uma diversidade que realiza a unidade. Esta diversidade chegará à unidade somente pelo amor.
Na SS.ma Trindade nós podemos alcançar o Pai através do Filho, cujo rosto é o rosto do Pai.

            Quem é Deus na nossa vida?
Não basta crer em Deus, mas saber em que tipo de Deus acreditamos.
É um Deus que toca a nossa vida e a transforma? Ou é um Deus que tanto faz existir ou
não existir porque não faz diferença nenhuma na nossa vida. Podemos nos virar mesmo sem Deus? Um Deus Juiz ou um Deus de amor gratuito. É um Deus que tem a que ver com a nossa história? Jesus é uma janela que nos permite olhar para dentro de Deus.
"Quando o Espírito da verdade vier, Ele os conduzirá à verdade inteira".

             O nosso Deus quer envolver-nos na sua vida.
Falando com Nicodemos Jesus disse: " Se alguém não nasce do alto, não poderá ver o Reino de Deus." Outras traduções dizem: Se não "nascer de novo". É impossível nascer de novo, regredir até chegar ao nosso começo e mesmo que pudéssemos nascer de novo, morreríamos igualmente.
Coélet  o autor do livro o "Eclesiástico", pensava: Os homens são iguais aos animais. Todos morrem, todos tem um único sopro vital. Tudo veio do pó e tudo volta para o pó. Sendo a condição do homem igual à dos animais, se quiser ser feliz basta divertir-se. Coélet conhece este único sopro vital para os homens e os animais. Se os homens não tivessem recebido uma vida nova do alto o Coélet teria razão. Mas na cruz, Jesus doou o Espírito, o sopro de Deus, a vida do alto e portanto no homem tem uma vida nova, uma vida eterna.
O Espírito Santo introduz no homem a vida de Deus, a vida do amor gratuito, incondicionado. Se alguém ama Jesus a SS.ma Trindade fará sua casa, seu Templo naquele que o ama. É Jesus, o Cordeiro, quem faz a história e não as feras. O Cordeiro morreu e ressuscitou e este será o futuro de todos aqueles que nasceram do alto, que possuem em germe a vida de Deus dentro das suas vidas. A Trindade é um círculo de amor.


Pe. Bruno Brugnolaro, Pároco de Igreja Matriz Sto Antonio, Jardim-MS