quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Produção Textual de Aluna com DA

Texto feito na minha disciplina de Redação durante as oficinas realizadas em preparação para a Olimpíada de Língua Portuguesa - Escrevendo o Futuro 2010, na escola Cel. Juvêncio.

"Para as Autoridades Estaduais, Federais e Municipais
Senhores governantes,
vou escrever algumas linhas sobre o descaso das pessoas deficientes DA e outras passam. Para começar é na escola o descaso para com eles, o ensino é péssimo. Na sociedade nem se fala, pro trabalho pior. Senhores governantes, mais uma vez vocês querem ganhar para governar o país mas nem sequer olham para o povo deficiente que precisa de atenção e não esmola. Eles precisam de estudo digno de trabalho para sobreviver dignamente.
Vocês precisam ajudar a cumprir a lei. Colocando intérpretes em todas as escolas onde tem surdos, é muito pouco o que ele pedem.
Este ano, vocês estão novamente pedindo voto para eleição e mais uma vez mentindo como sempre prometem mas não fazem nada pelos deficientes. E é assim que vocês querem melhorar o Brasil??? Pensem nisso, de gente incompetente o país já está cansado." (sic)

Aluna: Jackeline Dilkin Pires, 27 anos, 2º Ano do Ensino Médio turma "B", noturno. Texto transcrito pela mãe da aluna.

A proposta era produzir um artigo de opinião para a Olimpíada de Língua Portuguesa, na qual a escola e eu estamos inscritas, no entanto, a aluna conseguiu produzir este desabafo que merece atenção. Não deu pra enviá-lo, mas serve para nos conscientizarmos um pouco sobre essa parcela de nossos alunos que merecem, como todos os outros, vez e voz. É o que faço nesse momento.

Professora Nádia Scheeren, disciplina Redação

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Poema que exprime um pouco do que sou...

METADE
(Oswaldo Montenegro)
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que triste
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Por que metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
Mas a outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.